PLANTA ESPELHO

José Pedro Cortes

26.01.2018 – 01.03.2018

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A Galeria Francisco Fino tem o prazer de apresentar a primeira exposição de José Pedro Cortes no espaço da galeria, em Marvila. Planta Espelho reúne 25 fotografias recentes de territórios tão distintos como Dubai, Tóquio, Algarve ou o seu estúdio em Lisboa, num ensaio sobre um mundo instável e belo em constante mutação, enunciando que nunca se deve deixar de aprender a olhar de novo para o conhecido.

Planta Espelho compõe uma realidade suspensa que resulta do confronto entre imagens com origem numa prática de estúdio e observações resultantes das suas viagens. Cortes olha para a arquitectura, para a vegetação e para o corpo humano para reflectir sobre a relação entre um mundo de energias híbridas: uma força fabricada e feita de artefactos, criada pelo homem; e uma outra, natural e livre deste impulso de controlo do sujeito. Com alusões às ideias de limites e fronteiras, as fotografias de José Pedro Cortes mostram-nos, entre outros, o confronto entre a paisagem natural e a paisagem construída, ou a relação do estudo do corpo no estúdio com a evidência do esforço físico sentida nas pernas de corredoras de atletismo. É neste diálogo de tensão e dicotómico, que Cortes reforça uma das questões principais do seu trabalho: num mundo em constante transitoriedade como é que criamos um discurso sobre a matéria e a forma do nosso tempo?

“O tempo das minhas imagens é como o nosso tempo, de constante dúvida: fabricação ou impulso; vulnerabilidade ou força; superfície ou algo mais”, escreveu José Pedro Cortes para a sua exposição Concreto Armado (Bienal de Vila Franca de Xira 2016)

A abordagem de Cortes à prática fotográfica contende uma afirmação sobre a sua posição enquanto criador de imagens num tempo de saturação visual e reforça a sua convicção no mundo que o rodeia como fonte de um discurso sobre o momento contemporâneo, criando assim um espaço emocional habitado pela tensão e pela dúvida. Afinal, a fotografia, tal como a memória colectiva, vive de falhas e de aproximações a uma verdade.

Entre 2008 e 2015, a produção de José Pedro Cortes centrou-se em três corpos de trabalho diferentes: ‘ Things Here and Things Still to Come’, talvez a sua série mais conhecida, mostra a cidade de Tel Aviv e o mundo privado de quatro mulheres judias que fizeram o serviço militar; ‘Costa’ aborda, de uma forma muito pessoal, a paisagem e a vegetação da Costa da Caparica; e, por fim, ‘One’s Own Arena’, exposto em 2015 no Museu da Electricidade em Lisboa, centra-se na cidade japonesa de Toyama. Nestes três momentos, Cortes explorou os temas centrais do seu trabalho – a relação modelo-fotógrafo e a fragilidade das franjas das paisagens urbanas.