PHANTOM LIMBS

Karlos Gil

20.09.2017 – 27.10.2017

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A Galeria Francisco Fino apresenta a primeira exposição individual de Karlos Gil em Portugal. Intitulada Phantom Limbs, nela o artista mostra várias séries de obras inéditas cujo ponto de partida é a sensação de que um membro amputado permanece ligado ao corpo e a funcionar como parte deste. Aqui, esta noção serve para criar um ecossistema de analogias entre os fundamentos da escultura contemporânea e os diferentes usos e abusos das novas tecnologias nos processos de criação artística no século XXI. Nesta exposição, Gil propõe-se voltar a imaginar as fronteiras entre o orgânico e o artificial, o natural e o industrial, o feito pelo Homem e o fabricado pela máquina para assim questionar muitos dos princípios fundamentais da modernidade.

Em Redundancy (de-extinction), Gil actualiza uma das suas séries mais icónica, na qual apresenta duas composições fabricadas com néons reciclados de um antigo letreiro de Hong Kong, substituídos por tecnologia LED. As peças são reconfiguradas numa complexa corrente de montagem em que se conserva o vidro, o gás e a cor original, dando origem a duas composições novas e, assim, concedendo uma nova vida a uma tecnologia em extinção.

Um processo semelhante caracteriza a série Stay Gold, iniciada em 2015, e na qual o artista usa um tear de Jacquard do século XIX para traduzir cartões perfurados usados em programas informáticos dos anos 1950. Este fluxo entre diferentes tecnologias percorre o trabalho de Gil, tecendo uma malha de contingências formais entre momentos históricos distintos que resultam mais próximos do que se poderia antecipar. O resultado é a imagem do tempo fragmentado, uma espécie de rede de conexões entre diferentes corpos.

A série de trabalhos que confere o título à exposição – Phantom Limbs –, propõe uma ausência em oposição ao excesso, numa relação clara com os postulados da escultura minimalista. Colocados no chão da sala principal encontram-se diferentes blocos de poliuretano de alta densidade – um material utilizado em protótipos aeronáuticos –, cuja superfície foi perfurada com o perfil e a forma de diferentes objetos e elementos de natureza tecnológica (móveis, acessórios electrónicos, electrodomésticos, etc.). Neste trabalho, o artista reflecte sobre a fronteira entre o positivo e o negativo nos processos industriais de criação escultórica, apontando para o uso prostético dos objetos.

À semelhança de um jardim artificial, a série Daedalus Overdrive consiste de um conjunto de peças que examinam o mito de Dédalos e Ícaro para reflectir sobre os princípios idiossincráticos da década de 1920, durante a qual a velocidade era sinónimo de evolução industrial e prosperidade social. Para estas peças, Gil resgatou cinco ornamentos de carros clássicos, recolhidos em antiquários espalhados pelo mundo, para criar uma simetria desconcertante entre ornamentos de diferentes épocas, onde aparecem homens e mulheres alados ligeiramente inclinados. Estes ornamentos, símbolos reconhecíveis das marcas de automóveis que representam, têm vindo a perder esta sua função original e passado a ser contemplados como vestígios de um passado glorioso, aqui sublinhado pelo contraste entre o dinamismo e a elegância das formas e o peso do pedestal que as prende ao chão

Black Mirror, novo corpo de trabalho do artista, é uma disposição de espacial irregular de três espelhos inspirados em modelos Art Déco, cuja superfície de cristal integra uma marca, como se de uma extremidade fantasma se tratasse. As marcas mantêm-se constantes e à superfície do conjunto, que, por sua vez, foi renderizado com recurso a um programa de controlo numérico, destinado à fabricação posterior dos objetos.

Em Phantom Limbs, Karlos Gil explora com especial interesse o modo como os objetos e o seu significado se transformam quando colocados em novos contextos. Utilizando a abstração, a fragmentação e a memória para criar novas narrativas e possibilitar novas leituras, Gil faz colapsar a distância temporal entre passado, presente e futuro.